BDRA-08-Moradores se empenham para manter áreas verdes
Andresa Alcoforado Ferreira Barbosa Jornal A Gazeta - Vitória,ES March 2010
Pessoas mostram que com vontade dá para cuidar do meio ambiente
"Exemplos de pessoas que passaram a plantar árvores nativas ou simplesmente plantaram árvores visando a preservação da região"
O cenário que o agricultor, Newton Campos, de Alegre, encontrou quando herdou as terras do pai foi uma área entregue ao pasto. Nenhum cultivo, erosão por todos os lados e falta de água na propriedade. Hoje, o "Sítio Jaqueira" onde mora funciona no sistema agroecológico, todo de forma sustentável e produzindo água.
Mas a iniciativa de Newton ainda não é comum na região do Caparaó, que mantém a exploração da monocultura do café e pecuária. Em todo o estado do Espírito Santo, só restou 6% de Mata Atlântica, que se concentra mais na região Serrana, no Caparaó o que dá para se ver de mata fica mais próximo ao Parque Nacional.
"Não existem políticas públicas que incentivam a agroecologia, um sistema que é sustentável plantando além de mudas nativas, frutas e trabalhando com animais na produção. Todo o processo é importante, mas a produção de água para as bacias dos rios da região aumenta a vazão dos rios que a cada dia é menor", conta o Engenheiro Florestal, George Wilton Venturim.
O córrego que antes passava como filete de água na propriedade de Newton, hoje cresceu, outros já se formaram no lugar. As plantas ajudam a fazer o reaproveitamento das águas de chuvas, como também o sistema de manejo na hora do cultivo.
"Temos um sistema de horta e cultivo que é feito no meio das espécies nativas, os peixes também são aliados nessa proposta, já que não comem ração e sim matéria orgânica. Nosso trabalho já virou referência na região, o sítio é estudado por alunos e já virou até tese de mestrado", finaliza Newton.
Árvores para acabar com a poluição
Também em Alegre, outro exemplo, de que as pessoas acreditam em preservação ambiental. O biólogo João Batista Nicolete, há cinco anos comprou três hectares de terra, começou a plantar árvores, as mudas vieram da Amazônia. Na propriedade não é difícil encontrar espécies raras como o jacarandá.
"As árvores estão se desenvolvendo muito bem, também plantei algumas árvores frutíferas no meio da floresta. Mas a minha intenção foi mesmo preservar e acho que todo mundo deveria fazer a sua parte e divulgar mais essa idéia", destaca o biólogo.
TL Newton Campos- agroecologista
Um sonho de reflorestamento há 27 anos faz parte da vida do agroecologista Newton Campos. A terra que herdou da família era toda pasto, mas com o trabalho intenso de recuperação, a água voltou para a propriedade e pequenas matas já começam a se formar.
"São 30 hectares meu avô trabalhava com café e meu pai transformou tudo aqui em pasto. Eu já comecei a plantar, meu sonho é o cultivo sustentável com frutas, leguminosas e árvores nativas. Trabalhamos com educação ambiental e vivemos do que plantamos", conta.
RESP
No Espírito Santo, um projeto já paga a produtores de água, por enquanto, só acontece nas bacias do rio Jucu e Beneventes. O objetivo é gratificar os produtores que combatem a erosão do solo e aumentam o volume de água dos córregos da região. Brejetuba, na região Serrana, tem cinco produtores de água que assinaram um contrato de três anos, eles receberam cheques simbólicos como reconhecimento do valor ambiental das florestas em suas propriedades. O valor pago até agora foi de R$ 23.825,00. O projeto continua, os interessados que moram entorno da bacia do rio Guandu podem participar
SUB Crianças aprendem a preservar
A consciência ambiental também chegou nas salas de aulas de Alegre, um projeto que tem como parceira a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agricultura e de Educação, visita escolas dando palestras sobre educação ambiental, faz plantio de mudas com as crianças e também prepara visitas programadas em locais de preservação.
"Vamos as escolas palestrar, teorizar sobre meio ambiente e a importância da educação ambiental, sobre os valores em conhecermos e reconhecermos, as potencialidades e problemas da região do Caparaó Capixaba. Na medida do possível, tentamos tirar alunos e professores da sala de aula e levá-los para locais onde existe preservação", conta Gerado Durtra, educador ambiental.
Na zona rural do município, na localidade de Lagoa Seca, se repete políticas de não desmatar, são ações isoladas e não projetos, mas que muitas vezes contam com as crianças como multiplicadores dessas idéias.
"Em julho do ano passado, na escola Ana Monteiro de Paiva, do distrito de Anutiba, fez um reflorestamento de uma pequena área nos fundo da escola e na margem do córrego Lambari. O local agora serve como incentivo até para os próprios alunos", afirma Dutra.

