Matança de onças-pintadas - Homem condena animal à extinção
Alexandre Palmar Folha de Londrina/Folha do Paraná - Londrina (PR) March 2001
As onças-pintadas podem desaparecer do Parque Nacional do Iguaçu
num prazo de cinco anos, caso seja mantida a média anual de 10
mortes provocadas pelo homem nos últimos sete anos, registrada por
pesquisadores e moradores vizinhos da reserva. A extinção vai
resultar na quebra da cadeia natural entre os animais existentes na
unidade, que abriga as Cataratas do Iguaçu. A primeira consequência
será o crescimento desordenado dos animais que são caçados pelas
onças como alimentos.
A onça é a maior predadora das 10 espécies de animais encontrados no parque. Sem a Panthaera onca (nome científico), as presas que servem de alimento para ela - capivara, paca e tatu, entre outras - terão condições de se reproduzirem com mais facilidade, ocasionando um aumento de sua população. Quando isso acontecer, aquele que dominar o território terá mais facilidade para matar quem está abaixo no ciclo de alimentação. No Brasil existem 26 espécies de carnívoros terrestres. Elas estão divididas em quatro famílias: felídeos (onças e gatos-do-mato são os principais representantes); canídeos (lobo guará e cachorro-do-mato são os principais representantes); mustelídeos (ariranha e lontra são os principais representantes) e procionídeos (quati e guaxinim são os principais representantes).
O risco de extinção da onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu foi diagnosticado há 11 anos, quando o Projeto Carnívoros do Iguaçu foi criado. Cálculos dos pesquisadores revelaram, em março de 1990, que a dimensão da reserva tem um potencial para abrigar 170 onças-pintadas. Mas já naquela época estimavam que a população da espécie não chegaria a 150 animais. Apesar de ser impossível quantificar o número atual, os biólogos acreditam que a população não passe de 60 animais.
Para o gerente do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Predadores Naturais (Cenap) - com sede em Sorocaba (SP), - Peter Crawshaw, criador do Projeto Carnívoros do Iguaçu, essa "é uma quantia otimista até demais." O Cenap é uma unidade administrativa do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Os levantamentos indicam que de 1994 até o ano passado, 74 onças-pintadas foram mortas no Parque Nacional do Iguaçu. Nesse número estão descartadas as mortes naturais e também ficam de fora os felinos que são mortos mas não encontrados. O balanço revela que uma média de 10 onças têm sido mortas por ano nos últimos sete anos, embora o parque seja a maior área protegida da Bacia do Prata.
O Projeto Carnívoros do Iguaçu - pioneiro no estudo de carnívoros em unidades de conservação no Brasil e apontado como uma referência internacional para os estudos de ecologia de mamíferos, - revela números ainda mais preocupantes, que levam realmente à possibilidade de extinção da espécie.
Desde a sua implantação, em 1990, foram monitorados 70 animais, entre onças-pintadas, jaguatiricas, cachorros-do-mato, gatos mouriscos e quatis. Do total, 20 são onças-pintadas e 18 delas (90%) foram mortas por caçadores e fazendeiros. ''Somente de abril de 1990 a dezembro de 1994 usei nove animais no meu estudo. Mas num período de dois anos, nenhuma das nove onças-pintadas estava viva'', relata Peter Crawshaw. Outro indicativo que reforça o risco de extinção da espécie no Parque Nacional do Iguaçu é o fato das onças-pardas serem encontradas com mais frequência que as pintadas, na unidade. "A pintada é dominante sobre a parda. Onde tem bastante pintada tem pouca parda. A mudança significa que ela está tomando posse do território deixado pela onça-pintada," explica o biólogo, que baseou sua tese de doutorado, apresentada na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, nos estudos da fauna do Parque Nacional do Iguaçu.
Na opinião de Peter Crawshaw, a população da Panthaera onca está se aproximando de um número crítico, do qual pode não haver retorno, por causa do empobrecimento genético. "Os predadores de topo de cadeia atuam como fator de controle sobre tudo que vem abaixo deles. É como se fosse um filtro, que força todas as espécies a melhorarem geneticamente. A perda da onça-pintada é irreparável," afirma o pesquisador.
A solução para eliminar o perigo de extinção, ou adiar seu prazo, como o próprio pesquisador alerta, é aumentar a fiscalização na reserva, implantando um programa repressivo para acabar com a matança de onças. "Tem que levar o assunto a sério, para pelo menos segurar essa tendência drástica. A próxima etapa é partir para a conscientização dos fazendeiros, filhos de fazendeiros, visitantes, caçadores e, enfim, da comunidade em geral."
Pele é exibida como troféu
Fita apreendida pela Polícia Federal mostra cenas chocantes proporcionadas por caçadores
Uma fita de vídeo apreendida em setembro de 1999 mostra cenas chocantes proporcionadas pela caça ilegal no Parque Nacional do Iguaçu. Nas imagens, caçadores extraem a pele de uma onça-pintada, cujo material é usado como troféu. A Polícia Federal encontrou a fita num depósito de mercadorias contrabandeadas no município de Medianeira, localizado a 60 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu e vizinho da reserva florestal.
Foram detidos na oportunidade Fabiano Boito, 24 anos, sua mãe, a comerciante Maria de Lourdes Locks Boito, 51 anos, e três funcionários da fazenda do pecuarista Nilton Boito, localizada à margem do parque, no município de Céu Azul. Fabiano aparece nas imagens ajudando três funcionários da fazenda a retirarem a pele da onça, de dois metros de comprimento.
Todos alegaram que tinham encontrado o animal morto. O caso
continua em investigação. Os envolvidos foram liberados depois de
prestarem depoimentos e serem multados em R$ 4,9 mil por crime de
caça em unidade de conservação. Os acusados estão respondendo
processo em liberdade.
Grau de parentesco próximo vai refletir na
reprodução
A população de onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu, calculda em 60, está perto do limite denominado cerco genético. Biólogos estão prevendo que, se o número chegar a 50, os felinos terão um grau de parentesco próximo, dificultando a reprodução da espécie quando começarem a ocorrer cruzamentos entre si. Os animais podem nascer estéreis, perder resistência garantida pela heterogeneidade, além de possibitar a propagação de doenças letais.
"Nós ainda temos sorte, que gera um pequeno otimismo, pelo fato do Parque Nacional do Iguaçu estar conectado ao Parque Nacional do Iguazú (no lado Argentino). Essa conectividade garante, por pelo menos um determinado tempo, que não haverá um empobrecimento genético," contrapõe o biólogo Peter Crashwaw.
Ele informa que, em condições naturais, os predadores têm uma vida média entre 10 e 14 anos de idade. Entretanto, a ação de caçadores e fazendeiros reduzem a possibilidade desses felinos morrerem naturalmente, o que interfere na reprodução da espécie devido ao menor tempo de vida. A onça-pintada gera, a cada ninhada, de um a dois filhotes. Até a próxima prenhez, a fêma demora mais dois anos e meio para recuperar-se.
Iguaçu ainda tem a maior população da espécie no Sul
A extinção da onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu pode representar também a eliminação da espécie nas unidades de conservação da região Sul do Brasil. A reserva florestal é a única a abrigar uma população razoável do felino na região. As outras unidades tem um número insignificante de onça-pintada, segundo o gerente do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Predadores Naturais (Cenap), Peter Crawshaw.
"No Sul do País não existe outra unidade tão importante para a conservação da onça-pintada," destaca. Ele informa, porém, que o Parque Florestal Estadual do Turvo, no Rio Grande do Sul, divisa com a Argentina, abriga alguns desses animais. "O Pantanal e a Amazônia ainda têm populações significativas, mas, no Sul, o Iguaçu era a unidade mais expressiva," compara.
"Tem muito caçador entrando na floresta"
O Projeto Carnívoros do Iguaçu foi criado em março de 1990 pelo biólogo Peter Crashwaw, 49 anos. Natural de São Vicente (SP), o pesquisador morou 6 anos em Foz do Iguaçu (de abril de 1990 a fevereiro de 1996). Durante este período, coletou dados para sua tese de doutorado pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, cujo enfoque é a comparação entre a ecologia e a probabilidade de conservação, a partir da comparação da onça-pintada com a jaguatirica. O trabalho deu origem ao Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Predadores Naturais (Cenap), ''através de uma sequência lógica do estudo'', conforme destaca o biólogo. Em entrevista para a Folha, Peter Crashwaw alerta sobre o diagnóstico de sua pesquisa, que aponta para o risco de extinção das onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu.
(Entrevista)
O senhor iniciou o estudo sobre as onças-pintadas com que finalidade?
Peter Crashwaw - A idéia era fazer uma comparação entre a ecologia e a probabilidade de conservação, comparando a onça-pintada e a jaguatirica. Quer dizer, dois felinos pintados de tamanhos diferentes. Terminei a tese em 1995. Uma das conclusões mais chocantes do trabalho foi que a onça-pintada está, sim, com risco de desaparecer do Parque Nacional do Iguaçu. Se continuar o ritmo que tem estado nos últimos anos, provavelmente em mais cinco anos não vai ter mais nenhum exemplar da espécie.
Como a situação chegou a este ponto?
Crashwaw - As colônias italianas ao redor do parque têm uma cultura muito grande de caça. Também tem muito caçador entrando na floresta. Como a fiscalização está bem abaixo do que seria o mínimo necessário, o pessoal se sente à vontade para entrar e sair quando bem entende. Então o que acontece? Eles caçam as espécies cinegéticas, consideradas as espécies nobres, que são as principais presas da onça-pintada.
Quais são as presas da onça-pintada?
Crashwaw - A queixada é a principal. Lembro que quando morava no parque havia um grupo de 80 queixadas que ficava ao redor da minha casa. Os caçadores ajudaram a dizimar as queixadas, auxiliados por fazendeiros que se sentiam prejudicados quando elas invadiam as plantações de milho. Com isso diminui os alimentos para a onça-pintada dentro do parque, que precisou buscar alimentos nos animais domésticos das fazendas. Então o pessoal se julga no direito de matar porque os animais estão invadindo as propriedades. Para complicar, os caçadores não deixam de atirar nas onças-pintadas quando têm uma oportunidade.O que pode acontecer se as onças-pintadas forem extintas?
Crashwaw - A destruturação da fauna no Parque Nacional do Iguaçu. As presas do felino, como o cateto, a capivara, a anta, a paca, cotia, tatu tendem a superlotar o parque, mudando a estrutura da cadeia alimentar. Isso já foi verificado nos Estados Unidos. Os norte-americanos queriam aumentar a população de veados, para serem caçados pelas pessoas. No começo deste século, eles chegaram a extinguir os pumas (predadores dos veados). Agora, verificado o erro, houve a reviravolta com a conscientização, com o fortalecimento da ecologia.
Luta pela vida animal
Projeto monitora predadores do Parque Nacional do Iguaçu Animais são capturados, pesados, medidos e analisados por pesquisadores. Depois ganham a liberdade com transmissores conectados às coleiras Criado há 11 anos, o Projeto Carnívoros do Iguaçu monitora as 10 espécies de predadores terrestres existentes no Parque Nacional do Iguaçu, entre elas a onça-pintada. O trabalho é feito com o uso de rádio-colares, que permitem registrar as atividades e os deslocamentos dos felinos à distância.
Para isso, os pesquisadores precisam capturar os animais. Eles definiram uma área de cerca de 15 mil hectares, no oeste do parque, perto das Cataratas do Iguaçu, onde instalaram as armadilhas para tentar capturar os animais .
Quando ocorre captura, o felino é pesado e tem o tamanho medido. Os pesquisadores analisam a pelagem e calculam a idade do animal com base no desgaste e na coloração dos dentes, além de verificar outras características que auxiliam em pesquisas de preservação. Os rádios-transmissores são colocados e os bichos finalmente soltos na floresta.
De 1990 a 1999, os pesquisadores colocaram o colar transmissor em mais de 70 animais de várias espécies, como a onça-pintada, onça-parda, jaguatirica, furão, gato-mourisco e gato-maracajá, que se alimentam de carne, e quati, mão-pelada, irara e chachorro-do-mato, cuja alimentação é baseada em matéria vegetal. Atualmente, estão sendo monitoradas quatro jaguatiricas e um puma.
Criado pelo biólogo Peter Crawshaw, o Projeto Carnívoros do Iguaçu é coordenado desde 1997 pelo biólogo Fernando Cascelli Azevedo e pela veterinária Valéria Amorin Conforti, que estão nos Estados Unidos concluindo tese de doutorado.
Apesar da distância, os coordenadores se comunicam através da internet com os biológos assistentes de campo Luiz Fernando Zamboni, 26 anos, e Marcelo Oliveira, 28 anos, que estão fazendo o trabalho de monitoramento dos predadores.
Como parte do projeto, ambos proferem palestras e desenvolvem trabalhos de conscientização das comunidades vizinhas ao parque, em especial junto a turistas e guias de turismo, guardas de parques, funcionários do Iguaçu e, inclusive, aos funcionários do Hotel das Cataratas, situado dentro da unidade de conservação.
Também é mantido um laboratório onde os biólogos podem estudar os animais encontrados mortos. O local abriga ossos, caveiras e algumas peles de onça-pintada e outros predadores. Entre as peças que chamam atenção, estão os dois fetos de onça-pintada retirados do útero de uma fêmea morta um mês antes de parir.
"Isso aqui é um verdadeiro museu dos horrores," afirma Luiz Fernando Zamboni, que considera "uma pena" o projeto ter um acervo de animais mortos. O biólogo ressalta, entretanto, que as espécies são utilizadas para estudos. Através das fezes, por exemplo, é possível saber os alimentos preferidos dos animais em extinção. "A onça-pintada é o predador de todas espécies no parque. Seu único predador é o homem," lamenta.
O projeto é mantido pela Associação para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais. O Pró-Carnívoros é uma organização não governamental e sem fins lucrativos, criado em 1986 em São Paulo (SP). A ONG recebe apoio do Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação de Predadores Naturais (Cenap/Ibama) e de duas empresas, uma de Foz e outra de São Paulo.
Rotina dos pesquisadores começa cedo
Armadilhas são visitadas diariamente, a partir das 7h30, para verificar se algum animal foi pego
Os biólogos assistentes de campo do Projeto Carnívoros do Iguaçu, Luiz Fernando Zamboni e Marcelo Oliveira, percorrem todos os dias as trilhas do Parque Nacional do Iguaçu para verificar se algum felino predador foi capturado nas armadilhas colocadas numa faixa de 10 quilômetros de extensão.
Às 7h30 a dupla sai para verificar se as armadilhas capturaram algum animal, sem preocupar-se com a chance de encontrar um predador à solta. "Quando ver uma jaguaratirica, basta dar um pisão e ela sai correndo," diz Marcelo, com uma naturalidade pouco convincente e tampouco encorajadora. "O problema é a onça-pintada, mas a 'Joana' já é chegada da casa," acrescenta, referindo-se ao felino monitorado e considerado pouco perigoso, na visão dos pesquisadores.
A pequena população dessa espécie de animal na reserva tem dificultado a tarefa da equipe. Desde setembro passado, os dois pesquisadores não encontram pegadas do felino ameaçado de extinção. Nem mesmo as "iscas" colocadas dentro das armadilhas têm atraído as onças. Por outro lado, avistam jaguaratiricas e pumas com frequência.
Durante a caminhada pela floresta, Luiz e Marcelo monitoram os seis felinos (quatro jaguatiricas e um puma) que estão com colares. "Conforme o sinal repassado pelo rádio é possível verificar se o animal está em movimento ou em repouso. Quando não há alteração do bipe por mais duas horas é sinal que o animal está morto, porque ele nunca fica mais de duras horas sem se mexer," afirma Luiz, com base nos estudos da equipe.
Efetivo reduzido dificulta ação da Polícia Florestal
O Pelotão da Polícia Militar Florestal, em Foz do Iguaçu, tem apenas 27 soldados para monitorar o Paque Nacional do Iguaçu, que compreende uma área equivalente a 171 mil campos de futebol. Para o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), o ideal seriam 60 homens para garantir a preservação da flora e da fauna e, inclusive, eliminar a possibilidade de caça de espécies em extinção, como a onça-pintada.
O número de soldados é inferior, inclusive, ao registrado em abril de 1995, quando a pelotão tinha 43 homens encarregados de policiar os 185.265 hectares do parque. O efetivo precisa ser dobrado, mas o processo de contratação de novos policiais está em trâmite na Secretaria de Segurança Pública do Paraná, em Curitiba, desde 2000.
Limitados numericamente, os policiais têm dificuldades para fiscalizar as chamadas zonas críticas, localizadas nas várias cidades das regiões Oeste e Sudoeste que fazem limite com a reserva (Foz, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis, Matelândia, Céu Azul, Santa Tereza do Oeste, Lindoeste, Santa Lúcia, Capitão Leônidas Marques e Capanema), onde é mais comum a ação dos caçadores e fazendeiros. Para deslocar-se à Capanema, por exemplo, uma equipe demora em média uma semana de incursão pela mata.
Os 27 soldados precisam, ainda, intercalar o policiamento da floresta com os serviços administrativos do escritório, a supervisão do trecho da BR-469 entre o portão do parque as Cataratas do Iguaçu, além de fiscalizar locais fora da reserva, como os rios Paraná e Iguaçu e o Lago de Itaipu.
O tenente da Polícia Florestal em Foz, Renato Marchetti, diz que a atribuição "é difícil," mas destaca os resultados obtidos pela corporação no ano passado ). "São caçadores em potencial, que podem estar na mata para caçar uma cotia. Mas se uma onça-pintada passar pela frente, eles não vão hesitar em atirar," afirma o tenente, lembrando que o último infrator flagrado com onça-pintada foi pego em 1999 .
A Lei dos Crimes Ambientais - Lei 9.605/98 - prevê pena de seis meses a um ano de reclusão para quem matar, perseguir, caçar, apanhar espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão. A pena é maior se a espécie estiver ameaçada de extinção. Além da detenção, o infrator recebe multa de R$ 3.000,00 por cada felino predador abatido. Entrar na mata com equipamentos de caça também é crime, com pena de seis meses a um ano e multa de R$ 1.000,00.
Apesar das dificuldades, em 2000 a Polícia Florestal prendeu 129 pessoas acusadas de crimes contra a flora, fauna e pesca, o que resultou em multas de cerca de R$ 360 mil. Também apreendeu 267,9 quilos de peixes, 318 aves, 1.079 outros animais, 2.919 palmitos in natura e 3.655 vidros de palmito. Já na esfera federal, foram apreendidas no ano passado 20 espingardas somente na área do Parque Nacional do Iguaçu.
PROJETOS
A Associação para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais tem oito projetos em andamento nos seguintes locais:
- Projeto Carnívoros do Iguaçu (PR)
- Projeto Ecologia e Conservação dos Carnívoros no Parque Nacional das Emas (GO)
- Anta, Queixada, Caitetu no Parque Nacional das Emas: ecologia, conservação e impactos sobre produções agrícolas em fazendas vizinhas
- Estudo do impacto da formação do reservatório da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera) sobre os grandes felinos (SP/MS)
- Desenvolvimento de tecnologia de reprodução assistida aplicada à conservação de onças-pintadas
- Distribuição e conservação de carnívoros no Rio Grande do Sul
- Impacto das atividades antrópicas sobre a diversidade de mamíferos no Cerrado
- Estudo sobre a conservação do cachorro-do-mato-de-orelha-curta (Atelocynus microtis)
Dicas para evitar ataques de animais
- O Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Predadores Naturais (Cenap), em conjunto com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), formulou uma lista de orientações aos fazendeiros das cidades vizinhas ao Parque Nacional do Iguaçu, com o objetivo de evitar o ataque de predadores aos rebanhos. São cinco dicas:
- 1) Utilização de cercas elétricas - a instalação não implica em altos custos, se for restrita aos retiros. Também podem aumentar a segurança dos animais contra ataques de predadores;
- 2) Colocar colares com sinos no pescoço de animais do rebanho - medida pode atrapalhar o predador quando da tentativa de ataque;
- 3) Prender os animais mais vulneráveis em retiros, estrebarias, galpões.
- 4) Iluminar os currais, galpões, estábulos, a fim de manter os predadores afastados;
- 5) Não permitir a caça de animais nativos, como veados, pacas, cutias, capivara, pois eles são o alimento natural das onças - quanto mais destes animais estiverem disponíveis, haverá menos possibilidade dos animais domésticos serem atacados
. Fonte: IAP e Cenap/Ibama
